Os três critérios, na ordem certa
Dimensionar um condutor não é "escolher um fio grosso o suficiente" — é passar por três verificações, nesta ordem, e usar a maior seção que qualquer uma delas exigir.
1. Capacidade de corrente (critério térmico)
O condutor não pode aquecer além do que sua isolação suporta. A NBR 5410 define a corrente admissível de cada seção conforme o método de instalação (embutido em eletroduto, sobre bandeja, enterrado etc.) — quanto mais confinado o condutor, menor a corrente que ele aguenta com segurança, porque dissipa calor com mais dificuldade. Consulte a tabela de bitola × corrente admissível do site pelo método correspondente à sua instalação.
2. Queda de tensão
Mesmo que a seção aguente a corrente termicamente, ela pode não ser suficiente se o circuito for longo: a resistência do fio causa uma perda de tensão proporcional ao comprimento. Veja o guia como calcular queda de tensão para o passo a passo completo.
3. Seção mínima da norma
Independentemente do resultado dos dois cálculos acima, a NBR 5410 nunca permite ir abaixo de um piso mínimo:
| Aplicação | Seção mínima |
|---|---|
| Circuitos de iluminação (cobre) | 1,5 mm² |
| Circuitos de força / tomadas (cobre) | 2,5 mm² |
| Condutores de alumínio, qualquer circuito | 16 mm² |
Exemplo prático
Circuito de tomadas (TUG), 220 V, 16 A de projeto, 18 m até o quadro:
- Corrente admissível: um cabo de 2,5 mm² em eletroduto embutido (método B1) suporta bem 16 A → atende
- Queda de tensão: calcule com a fórmula do guia de queda de tensão — se passar de 4%, suba para 4 mm²
- Seção mínima: tomadas exigem no mínimo 2,5 mm² → já atendido
A seção final é a maior entre as três exigências — nunca a média, nem a que "parece razoável".